Mañana saldré de casa como lo hacías tú, para continuar tú viaje.

Se a vida for esse comboio que um dia me ensinaste, pessoas sempre a entrar e a sair e outras que vão até ao fim da linha, haveremos de encontrar-nos noutra estação lá à frente. Espera-me só mais um pouco.

Não sei se foi o tempo que nos escapou adiantado ou se fomos nós que lhe fugimos. Para o bem e para o mal, prefiro acreditar que controlo o meu próprio tempo e uso desta mesma convicção para explicar por que é que geralmente não uso relógio. A vida, porém, teima em acontecer sobre o que não conseguimos controlar, a puta.

Teria sido diferente se tudo tivesse sido diferente? Ou seríamos por uma vez pessoas normais a seguir o mesmo rumo das pessoas normais? Em que momento tropeçaríamos no inevitável do nosso futuro? O futuro que fazíamos não era o da posteridade mas o do próximo milésimo de segundo. Fizemos nós tanto futuro que não precisaria de mais nenhum para continuar agora, podes acreditar. Talvez tu sempre tenhas sabido de nós antes mesmo de mim e aquele gesto pouco suspeito levasse já tão discreto o fim.

Raramente coincidimos no sentir e na memória, é necessário um qualquer intervalo para assegurar, confirmar e só então assimilar. Depois já passou. É por isso que a felicidade vem tarde, na maioria dos casos. Não que ela não esteja lá, nada disso. Mas éramos felizes e não sabíamos, como se a felicidade nos distraísse. Nós não éramos a maioria, felizmente. Fizeste-me conscientemente feliz. 

Hoje não vou pensar mais nisto. Já não demoro muito e sei que nos encontraremos em breve. Até lá, (sou) continuação.

Sem comentários: