A amizade é um ritual à espera do tempo. Há quem tente contrariá-lo, há quem se embale à deriva. Todos o alcançam.
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DJ Portuguesinha
Conta sempre com emoção sobre o dia em que nos conhecemos. Não a abracei apenas por decoro.
Levava-te no meu cockpit.
Maturidade talvez seja também isso: aceitar que as amizades – e os segredos, novidades, medos, tudo o que lá cabe dentro e em tempos tomámos por direito pertencer-nos – não se organizam por prioridade, mas por proximidade. A amizade tem um contexto que não é especial, mas espacial, argumentou ela. O assunto importava, eu importava, mas eu estava longe.
O meltdown e o resplandecente dos girassóis do Vincent.
Questionava-me, intrigada, como era possível que Van Gogh sofresse de um quadro depressivo, mas pintasse com cores tão vivas e felizes. E com isto fiquei eu intrigada por ela não notar que também ela é um pouco assim.
Do elogio mais bonito.
“Quero que escrevam sobre mim como ela escreve sobre ela.”
Se me puderes ouvir, prefere porém o amor, não as palavras.
Mensagem.
Não sei porque gosta tanto de mim, mas sei que as melhores relações são aquelas que persistem sem o acessório de uma explicação.
Do fosso.
Quando escolheu ser mãe, o seu caminho deixou de coincidir com a expectativa dos outros. Ser mãe, com todas as implicações de ser mãe, foi como se houvesse desistido de quem poderia ser e optado pelo caminho mais fácil, simples, previsível, o caminho das pessoas normais, caminho dos outros. Aquela decisão gerou um fosso, diz-me. Subitamente, o futuro desalinhou-se do passado, inúteis afinal os passos perfeitos, quando o porvir resultou tão diferente. O fosso eram os tempos verbais a trocarem-lhe as voltas ao destino.
Eu é que sou a puta do bordel.
Não é logo. O tempo não prediz, mas deixa marca. É só depois de livres da conversa de circunstância e assentes no conforto do vinho que voltamos a ser nós. Admitimos saudades, entramos pelo mar adentro, queixamo-nos como podemos. Há mais de dez anos, rezou para que quem viesse não partisse. E ali estávamos nós, dez anos volvidos, primeira pessoa do plural.
Dos círculos.
Envelheceram e engordaram e eu com elas. Agora há filhos e parceiros, casas e contas. A distância revela-se nos assuntos: não vale a pena perguntar do tempo (está sol e calor), não vale a pena perguntar dos filhos (não os tenho), por isso perguntam do trabalho (está igual) e, pior, de como estão as coisas com o Brexit (como se eu me importasse). É assim que sabes, se te perguntam pelo Brexit. As fotografias mentem: naquela mesa estão pessoas, mas já não está um grupo.
Tenemos que vernos más.
Fiz as contas. Repeti uma e duas vezes porque nunca fui boa nas matemáticas. Preferia ter-me enganado. De todas as vezes, foi pouco. De todas as vezes, fui pouco.
Disto.
Is this the place we used to love?
Gostava muito mas não dá. E não posso negar que, mais tarde, senti reconforto no teu medo, amor na tua contrição e vulnerabilidade. Perdoei-te ali e quase te agradeci admitires assim a melancolia e as saudades. O resto ainda dá. Enquanto entrarmos pela casa sem pedir licença. Enquanto nos reconhecermos sem beijos. Enquanto conseguirmos rir e chorar. Enquanto houver moscatel e aquela rotunda nas Caldas. Isso dá.
Dos regressos: a amizade é trinta quilómetros p'ra lá e outros trinta p'ra cá.
Atá as amizade mais filosóficas precisam dos seus incentivos mais triviais. A amizade é mundana e do tamanho do que se caminha. No meu caso, a amizade continua a ser trinta quilómetros p'ra lá e outros trinta p'ra cá.
James Blunt thinks I'm beautiful.
Agora que penso nisso, não sei se foste quem me disse ou se foi algo que aconteceu por si, mas quando leio Eugénio de Andrade é sempre em ti que penso. Há quem tenha canções só suas na história de uma amizade mas a ti não te bastaria uma canção se poderias ser em mim também um poeta.
Eu e tu, madrugada, moscatel e silêncio.
Diz o adágio que se quiseres fazer deus rir, basta que lhe contes os teus planos. Rimo-nos também com ele e chamamos a isso amizade.
Eu finjo que sou de pedra, que sou dura na queda.
Não te beijei, não te abracei, nem sequer te disse olá. Abri a porta do carro e disse-te para seguires aquele outro, depressa. Depois disse que me embaraçavas. Que detestava os teus pontos de interrogação. Depois ainda, chamo-te galdéria e mais um ou outro nome carinhoso. Entendemo-nos assim. Talvez tu sejas a pessoa que melhor me conhece e eu seja sempre a que mais precisa de ti. Talvez a amizade seja assim e tu me tenhas feito falta, o que se diz das saudades.
They go to bed with Gilda, they wake up with me ou Só tenho o blog para declarações.
Gosto de ti além de qualquer conceito.
Corre atrás dos teus sonhos. Se não der certo, ao menos emagreces: pursuitology.
Digo-lhe que vou correr e ela pergunta-me atrás de quê.
Cathedrals in my heart.
Ela não sabe que enquanto me diz que já não tem fé eu penso que isto já nem com fé lá vai. Ela não sabe que foi também ela uma bela prenda de 2013. Ela não sabe que me lembro das suas palavras de há um ano atrás, o mesmo dia em que perdi a pulseira, que me fizeram chorar mas também sentir a mais livre. Brasil, Londres, Lapónia ou outro sítio qualquer, disse ela. Elas não sabem que eu sou lamechas e que penso nestas coisas enquanto vejo os fogos.
Locals only (excepto cargas e descargas).
Estar em casa é levar jarros de sangria para o carro, pôr o rádio alto e dançar "Agora não me Toca" à chuva, no meio da rua, e só com o mar como fundo. Bastamo-nos.
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