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Relationship matter(s): A resposta pode não ser óbvia

São necessárias justificações para com os nossos amigos?

Dilema do Prisioneiro

Dois suspeitos, A e B, são presos pela polícia. A polícia tem provas insuficientes para condená-los, mas, separando os prisioneiros, oferece a ambos o mesmo acordo: se um dos prisioneiros  testemunhar para contra o outro e o outro permanecer em silêncio, o que colaborar sai livre o cúmplice silencioso cumpre 5 anos de sentença. Se ambos ficarem em silêncio, a polícia só pode condená-los a 1 ano de cadeia cada um. Se ambos se acusarem um ao outro, cada um será condenado a 2 anos de cadeia. Cada prisioneiro faz a sua decisão sem saber o que o outro vai decidir. Nenhum tem certeza de como o outro vai reagir e que decisão irá tomar.

O dilema prova que quando cada um de nós, individualmente, escolhe aquilo que é do seu interesse próprio, pode ficar pior do que ficaria se tivesse sido feita uma escolha que fosse do interesse colectivo.

Onde estão a amizade e a confiança neste dilema?

One day, someday

Ela diz que me encontrou em todas as livrarias e cafezinhos de Buenos Aires. Agora, obviamente, terei de lá ir.

Cosyness

Falar-te de 2010 e lembrares-me de 2009. Gosto do tempo em que temos crescido juntas. Let's be scared together, lembras? Gosto da perspectiva que sempre trazes, optimista e feliz. Gosto daquela palavra que sempre me surge quando estou junto a ti. Cosyness.

Whatever works: terapia do deboche*

Retirar o melodrama através da ironia, sarcasmo, deboche. Descer e adquirir perspectiva, a imprescindível relatividade. E só então, falar a sério, poder enfim subir.
Resulta.



* de "debochar", no Português do Brasil

Possibilidades: amigas poetisas

"Eventualmente, conversar sobre assuntos aleatórios, aleatoriamente."

Behold

Há uma curiosa sensação de vaidade pelas tuas amigas: bonitas, inteligentes, confiantes. Quase uma espécie de osmose.
Escolher e ser escolhida. A posse primitiva. Ver e ser visto. Contemplai.

Choose me.

Detrimento

- Pessoas que mudam quem são para agradar ao outro;
- Pessoas que deixam de ter tempo para actividades que não envolvam o outro;
- Pessoas que deixam de conseguir fazer coisas sozinhas, sem o outro;
- Pessoas que ganham a mania da perseguição pois não entendem que a confusão não é o outro mas antes o que elas mudaram, por vontade própria, para estarem com o outro.

Em detrimento.

Sê paciente, mesmo que não entendas. Infantil, egoísta, possessiva, injusta. Que mais? Sê paciente. As saudades vivem na paciência do tempo.

Let's be scared together

Depois de te conhecer também a minha vida mudou, dear AM.

(coração mole em couraça dura)

Inquebrável: não, nunca, me esqueci de ti

"[Num mundo perfeito] Os amigos não se afastariam, teriam a decência em achar que a amizade é um laço para toda a vida, indestrutível, inquebrável e seguro. Num mundo perfeito, a amizade seria respeitada e, inconscientemente, dar-se-iam novidades todas as semanas, como as velhinhas que estão ali, à hora exacta, a verem a telenovela todos os dias para não perderem o fio à meada porque a  amizade seria assim, uma necessidade em saber como está o outro agora, e depois, e na semana seguinte. 
Num mundo perfeito a amizade nunca seria posta em causa, nunca teria desentendimentos nem mal entendidos e, caso isso acontecesse, o orgulho seria menor e as pessoas voltariam a aproximar-se porque sentiriam saudades. Isso num mundo perfeito. O mundo não é perfeito e as pessoas são caprichosas, exigentes e sobretudo orgulhosas e tenho saudades tuas. Pronto."
 
pela Margarida, no Sem Filtro

Axiomas do Moscatel I

Um moscatel sabe melhor acompanhada.

Pérolas entre as Tardes da Júlia e a Medicina em geral I

Ainda assim, a noite acabou a conversar sobre identidade, psicanálise e outros psis.

Pérolas entre as Tardes da Júlia e a Medicina em geral

* Ela - "Ó J., és tão imaturo quanto a tua idade!"
Ele - E além disso sou homem, imagina!"
* (sobre a tv só passar novelas e talkshows) "Deus inventou a Fox por alguma razão!"
* "Os Simpsons é muito adulto."
* "Não conheço esse da Heidi e dos Póneis" (quando se falava sobre a Heidi E sobre O Meu Pequeno Pónei."

Carta para Papoila no dia em que faz 22 anos*

“Só tem valor o que não se pode comprar. Podem-se comprar pêssegos mas não podemos comprar o pessegueiro em flor no campo em que floresce. Isto não tem a ver com o dinheiro. Pode-se dar dinheiro por coisas que não têm valor. Uma fotografia, por exemplo, tem um custo, mas o seu valor está aonde ela não está, de mistura com o sono que nos agarra quando a vemos. É assim também o amor.

É sempre preciso voltar à banalidade das coisas. O espírito é só o contraste que revela. Somos sempre pesados como água e leves como o vento. Não paramos de passar. E o mistério das coisas não está nelas, nem em nós. O mistério existe e é tudo. E se quisermos saber tudo ficamos logo cegos. A bondade é o que há de mais belo, Leonor, e não se sabe o que é. É urgente que aprendas a viajar.

E não voltamos nunca. E vamos acabar. O que nos espera não espera por nós. Ficaremos cansados de qualquer maneira, e não há nada a fazer e isso já o sabíamos no começo e no fim não nos podemos queixar. E no entanto vale a pena este lugar, este tempo, esta vida é um erro. Vale a pena esperar, não esquecer nunca o que nunca está presente. Vamos indo, aos poucos, a um encontro secreto. Leonor, não tenhas medo.

A maldade turva o olhar, não o dos outros, mas o nosso. Não é preciso ter em conta as consequências, é no próprio fazer que a culpa se mede. Olha para os teus próprios olhos antes de olhares para os outros. O que os teus olhos vêem vem da luz que tens em ti. Foge do escuro, foge. Foge sobretudo das sombras do teu olhar. O mais precioso, por mais ténue, vale mais do que tudo o resto, mesmo sem existir. Todo o tempo é precioso. Dorme menos.

Não vale a pena dormir com um homem com quem se dorme. O prazer vem só com o que acompanha da melhor maneira. De resto está só em passar e não há caixa em que se guarde que depois se possa oferecer. Só o longo trabalho salva. E o amor precisa de mais cuidados do que um jardim. Todos os dias é preciso regar o nosso amor. E podar os ramos mortos. Trabalharemos pois, Leonor, que o amor requer trabalho e o trabalho precisa de amor.

Nunca saberemos o que nos une. Nem o que nos separa. Foi sempre assim. É essa a pequena grandeza que nos distingue. Só nisso somos todos iguais. O homem do lixo vale mais do que eu. A ideia que temos mais do que somos ou seremos é uma luz incerta e vaga. O mais das vezes enganamo-nos. Mais ainda quando julgamos acertar, finalmente. Temos sempre de recomeçar e é nisso que somos eternos. Louvemos pois o que nos separa e o que nos une, isso mesmo a que é preciso não agradar.

E quando o corpo cansa e a alma entristece não faças caso. De vez em quando o mundo também precisa de descansar. Admira as árvores e as nuvens e a sua indiferença por ti. Não queiras ser o centro de nada. À tua volta descobre o que não és. A frivolidade gasta a alma numa inútil correria. Sê humilde e sensata. Se for preciso torna-te pesada como uma pedra que, embora pisada, não se levanta contra ninguém. E se for preciso sê como o chicote que corta, doce e alegre Leonor.”


Pedro Paixão,
"Carta para Leonor no dia em que faz 22 anos", in Vida de Adulto


* substituir "Leonor" por "Papoila"

Quem é quem: O Rastro do Jaguar

Telefona-me com alguma urgência para saber o nome de um livro: mostrei-lho na Feira do Livro, tem uma capa amarela, é sobre alguém que vai de motocicleta viajar pela América do Sul, tem uma guerra pelo meio, foi top de vendas, acha que até ganhou um prémio. E consegui adivinhar: sou a maior.

(não sei onde é que foi desencantar a motocicleta)

A naturalidade das horas úteis

Duas pessoas podem ser melhores amigas numa altura e quase estranhas meses depois. Nunca iria acontecer contigo. Pois.

Prolongamento (2h de sono em dia de trabalho)

Aprender a dizer não também à segunda vez.

E nenhuma razão

Ela diz que não consigo. Ela diz que eu sou só coração.

Nada me serve

Eu - Já nada me serve.
Ela - Mas estás a falar da roupa ou da vida em geral?

You've broken my heart



Vai passar, coração.