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No fim de contas, são pouquíssimas as coisas que na verdade importam nesta vida.

No fim de contas são poucas as palavras
que nos doem de verdade, e muito poucas
 as que conseguem alegrar a alma.
E são também muito poucas as pessoas
que nos fazem bater o coração, e menos
ainda com o correr do tempo.
No fim de contas, são pouquíssimas as coisas
que na verdade importam nesta vida:
poder amar alguém e ser amado,
não morrer depois dos nossos filhos.

Amalia Bautista

If someone isn't making you stronger, they're making you weaker.

“You are the average of the five people you associate with most, so do not underestimate the effects of your pessimistic, unambitious, or disorganised friends. If someone isn't making you stronger, they're making you weaker.”

Tim Ferriss

Meu sol, a solidão é muito um problema de luz.

há uma solidão específica para as noites. uma espécie de agrura que o escuro inventa. esconde o mundo como se escondesse a possibilidade de encontrar alguém. gostava de um lustre magnífico, tremendo e sempre aceso no lugar do sol. gostava que pendesse cristais e fosse encantatório. noite e dia. com ou sem gente. a solidão é muito um problema de luz.

valter hugo mãe, 27/04/2015

Meus e maus são a raiz bicéfala de toda a tristeza.

(…) a dor é apenas carne e sangue, meu parolo, um saco de berlindes decantados da melhor farinheira com ovos, uma súbita interrupção na gigantesca engrenagem que vai da boca até ao cu, não há nada de sobrenatural nisto para além do facto de te conseguires manter vivo tanto tempo na mais perfeita ignorância, percebes. 

Da Família, Valério Romão

Quando é sobre coisas reais, está muitas vezes a ocupar o lugar de algumas coisas reais.

«A vida é demasiado séria para eu continuar a escrever. A vida costumava ser mais fácil, e muitas vezes agradável, e então escrever era agradável, embora também parecesse sério. Agora a vida não é fácil, tornou-se muito séria e, por comparação, escrever parece um pouco disparatado. Escrever não é, muitas vezes, sobre coisas reais, mas depois, quando é sobre coisas reais, está muitas vezes a ocupar o lugar de algumas coisas reais. Escrever é demasiadas vezes sobre pessoas que não aguentam mais. Tornei-me entretanto uma dessas pessoas. Sou uma dessas pessoas. O que eu devia fazer, em vez de escrever sobre pessoas que não aguentam mais, é pura e simplesmente desistir de escrever e aprender a aguentar. E prestar mais atenção à própria vida. A única maneira de me tornar mais inteligente é não voltar a escrever. Há outras coisas que eu devia estar a fazer em vez disso.»

Lydia Davis, Não Posso Nem Quero, tradução de Inês Dias, Relógio D'Água
descoberto ali na Menina Limão

Conas & enconados.

(...) Não podíamos estar assim se fossem só os animais que mandam. Há também muito jogo e trunfos na manga dos animais que obedecem. Há uma mediocridade doentia que se promove para fazer nada, para calar, para seguir com a feira o mais cabisbaixa possível. E é isto. Mas vem sempre um fazer de sinaleiro, armado em sério, apito nos beiços, estabelecer o ponto de ordem, pôr o seu pintelho na salada. Como se o nosso problema fossem as pesporrências, como se o problema não fosse o partido geral de conas & enconados que traz isto tudo pacificado com a noção de que estamos todos na merda, mas de que a culpa (estranhamente) mora lá longe, do outro lado, servindo-nos até de bode expiatório para a panhonhice que aqui reina.

Língua Morta, 19/02

The omnipresence of power.

The omnipresence of power: not because it has the privilege of consolidating everything under its invincible unity, but because it is produced from one moment to the next, at every point, or rather in every relation from one point to another. Power is everywhere; not because it embraces everything, but because it comes from everywhere. 

Foucault

Ninety percent of ethics is picking the right ethicist.

All train compartments smell vaguely of shit. It gets so you don't mind it. That's the worst thing that I can confess. You know how long it took me to get there? A long time. When you die you're going to regret the things you don't do. You think you're queer? I'm going to tell you something: we're all queer. You think you're a thief? So what? You get befuddled by a middle-class morality? Get shut of it. Shut it out. You cheated on your wife? You did it, live with it. You fuck little girls, so be it. There's an absolute morality? Maybe. And then what? If you think there is, then go ahead, be that thing. Bad people go to hell? I don't think so. If you think that, act that way. A hell exists on earth? Yes. I won't live in it. That's me.

David Mamet, via O Malparado

Life, hidden beneath the blah, blah, blah (it's just a trick).

This is how it always ends. With death. But first there was life, hidden beneath the blah, blah, blah... It's all settled beneath the chitter chatter and the noise, silence and sentiment, emotion and fear. The haggard, inconstant flashes of beauty. And then the wretched squalor and miserable humanity. All buried under the cover of the embarrassment of being in the world, blah, blah, blah... Beyond there is what lies beyond. And I don't deal with what lies beyond. Therefore... let this novel begin. After all... it's just a trick. Yes, it's just a trick.

(La Grande Bellezza)

A realidade é que não há velhos.

A realidade é que não há velhos, só desistentes da vida: os que aos trinta anos calculam a reforma, aos quarenta jogam golf, dos cinquenta em diante temem o coração e a próstata.

(no Tempo Contado, que me leva a perguntar por que é que ainda não li nada do J. Rentes de Carvalho até aqui)

Estou a convidar-te para um naufrágio.

Instintivamente, à semelhança do náufrago, ele procurará algo a que se agarrar, e esse olhar trágico, peremptório, absolutamente veraz, já que se trata de se salvar, fá-lo-á ordenar o caos da sua vida. Essas são as únicas ideias verdadeiras: as ideias dos náufragos. O resto é retórica, pose, farsa íntima. Aquele que não se sente verdadeiramente perdido, perde-se inexoravelmente, ou seja, jamais se encontrará, nunca poderá vislumbrar a sua própria realidade.

José Ortega y Gasset

A felicidade dos gatos faz-se por repetição.

Nós somos seres temporais por definição: vivemos sempre carregados de passado ou de futuro; do que fomos ou seremos; entre as memórias e as aspirações; e com a certeza da morte à nossa espera. Somos, numa palavra, patéticos. Esta específica temporalidade descentra-nos do presente, atira-nos para fora dele. Mas os gatos, pelo contrário, vivem cada momento de uma forma completa, total. E sabe porquê? O Mark Rowlands explica isso num livro notável sobre lobos: porque para os gatos, como para os lobos, a felicidade não se faz por adição – adição de novas experiências; novos lugares; novos objectos; novos projectos; novos amores. Essa dança macabra é só nossa. A felicidade dos gatos faz-se por repetição. Eles repetem o que lhes é significativo. Passo horas a olhar para a minha gata. Aprendi mais com ela do que em anos e anos de leituras filosóficas.

João Pereira Coutinho

Maux et mots: Santa Bárbara de Nexe

É preciso falar por falar.
Nunca fales para dizeres qualquer coisa.
Evita a sinceridade,  foge dela, ninguém te escutaria.
As palavras, as palavras verdadeiras são mudas.
Escreve com vento, escreve, escreve depressa.
Escreve de dentro.
Escreve de olhos fechados.
As paisagens estão em nós.
Não vou descrever os mares e as terras, não, que fechem o livro, que vão eles ver...
A escrita fica no exterior.
A escrita não pode encerrar-se numa página. 
És tão louca como as tuas palavras, excitas-te, uivas, arranhas o papel.
Encerras palavras  numa folha de papel, fazes o que fazem os atrasados que escondem nos bolsos papéis rasgados, fósforos queimados, uma mosca morta, tudo o que encontram, segredos, a visão deles, um mundo tranquilizante.
 
Emma Santos, O Teatro

Ao cão de lume que tens de guarda ao coração:

esperar que teus olhos se pousem nos meus. esperar que a chuva pare e tu irrompas na claridade das nuvens abatidas sobre o mar. esperar um gesto, uma palavra que faça o corpo mover-se em direcção a ti. mesmo que eu o não deseje. mesmo que o mundo desabe nos lábios sobre os lábios. e nenhuma palavra seja possível tornar-se à flor da saliva. amo-te, se era isso que querias ouvir dizer. amo-te no silêncio e no medo de despertar em mim as palavras que tu entenderás. e me comprometam, e me desarmam. amo-te vagarosamente. peço-te, dá-me Tempo para que as palavras se formem e tomem sentido, se organizem de modo a serem fala simples e imediata dá-me tempo para reconhecer meu corpo esquecido algures na treva duma memória que eu tento esvaziar. dá-me Tempo para aperceber de novo a falsidade dos espelhos, e de novo construir a minha sombra, o meu reflexo, a minha solidão. dá-me Tempo, Tempo infinito para que a voz cresça e se transforme em canto. Tempo, quero Tempo, para redescobrir a dor.

Al Berto, Diários