Conta-me historias daquilo que eu não vi.
Invejar o teu capricho e a tua rebeldia. O teu equilíbrio. O teu termóstato.
Bonito serviço.
Os olhos: grandes, espantados de serem tão grandes.
Os sentimentos atrasam.
Estavas a enganar-me, malandra.
Insisto na limpidez dos olhos e no conforto da tua presença. Gosto de respirar-te o ar enquanto dormes e que saibamos sempre posicionarmo-nos do lado certo da cama, da rua, da vida, com a naturalidade de quem se conhece bem. Gosto de te prever o riso e o sono e o aborrecimento e gosto de me convencer que te sei. Alguma coisa, vá. Gosto que perguntes o que me apetece para o jantar e quando coincidimos nas palavras e nas vontades. Gosto do teu gosto e gosto dos teus gostos. Gosto de imaginar os dias felizes e simples contigo, a partilhar a vida boa. Eu prepararia o café e tu lerias alto para mim na tua melhor entoação e dicção, eu a sorrir debaixo do sol e tão consciente da minha sorte enquanto os pássaros cantam em grego. Até poderia meter cão. Até parece possível.