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Alertas que tanto dão para a Bolsa como para relações.
Rendimentos passados não são garantia de rendimentos futuros.
Segue o corpo. Dá-lhe pousio e esgotamento.
A ideia de intimidade é tão rara e poderosa que chega a haver quem a ache revolucionária.
Como um cão que sabe que o que foi amor não reconhece o esquecimento.
São sempre imensos os escombros que nos formam, descabidos os atalhos, tão profundo o que é não-dito no que se diz. A memória faz pactos à nossa revelia. Cabe-nos depois decidir, de forma mais ou menos consciente, o que é de revelar e de ocultar, o que é jogo de descoberta e até onde consentimos quem se embrenha em esforços de arqueologia. Por vezes assomam vestígios à superfície. Hoje, por exemplo, não me lembrei do que preferias esquecer.
Naquela tarde não te contei igualmente que The Great Gatsby faz-me necessariamente recuar a ti e às tantas noites a ouvir Together dos The XX. Em loop e num volume provavelmente exagerado para aquelas horas da madrugada, entre demasiados cigarros e a garrafa que acabava cedo. Era uma fúria e um embriagamento de escrever e, para mais, poesia. Tu nem sabes que esta é das imagens mais nítidas que guardo da minha estadia em Londres, aquele canto da sala, o vício do fumo e da tristeza, a anestesia nos programas do Jeremy Kyle. Tu ainda não tinhas ressuscitado e eu também não. Um coração partido é uma merda, essa é que é essa. Mas, ao menos, fez-se disso alguma coisa e as palavras sempre são terapia mais barata. Não se deve desperdiçar a dor. Por isso, quando me perguntaste sobre o que era o The Great Gatsby respondi, com excessivos atalhos que tu dispensarias, que era sobre um homem, agora milionário e excêntrico, que reencontra o seu grande amor de juventude e percebe que o dinheiro não é tudo. Não obstante a expectável evolução positiva dos mercados, nada a ver connosco, portanto.
O silêncio é tentação e promessa.
Saberás que te procuro como quem precisa de um relógio para trazer cadência ao tempo?
Uma vida inteira só no verbo estar.
Como ele escreveu, era uma questão de haver mar. Uma questão de enlouquecer. “O lugar onde nada se cria, tudo se transtorna.” Nada acontece aqui. Aqui é um lugar de restos, daquilo que não caberia em mais lado nenhum, bagagens de formato irregular, máquinas de lavar podres e já sem tambor e colchões manchados de nódoas para os empregados da Câmara levarem a custo no dia quinze de cada mês. Aqui, o insuportável. Seja por excesso ou por défice, embora esta distinção pouco importe uma vez que o que nos falta é o que mais nos pesa, santa ironia. E o pior é que a utilidade das palavras é sempre dúbia. Quando foi a última vez que as tuas palavras lhe deram tesão, por exemplo? Tinhas tanta orgulho disso, como se fosse o maior prémio literário a que poderias ambicionar. Quando foi que lhe trouxeram paz e certeza? São, na sua maioria, equívocos dispensáveis, desperdícios a que limpar as mãos no fim do trabalho. Hoje em dia estou ocupada a estar. Não é um verbo simples, pede tudo. Era isto ou a vida.
Há mar e marasmo, há ir e voltar aforismo.
Nunca lembramos nem esquecemos tudo. Somos mais o que lembramos ou as memórias que perdemos, por esforço ou instinto? O movimento exige esquecimento, disse ela, e a verdade é que nunca chegamos a completos, avançamos mutilados e claudiquando pela vida fora, uns mais conscientes do que outros. Definidos pela lembrança ou esquecidos de quem fomos e do que nos sucedeu é então como forjar uma identidade, um novo ser avulso a quem cortaram um membro. Mas não reconhecerá a lagartixa a sua cauda mesmo quando a cortam?
A gente só nasce quando somos nós que temos as dores.
O que pode ainda importar, quando o chão nos foge debaixo dos pés? Há o susto e há o medo de novo a rondar a ferida. Não sei quem de nós melhor o disfarça. As palavras estão usadas, os precipícios são demasiados. E há coisas que não quero escrever, pois a simples ideia delas esmaga-me o peito e deixa-me sem ar. O silêncio molda-se ao corpo, torna-se artifício. Aceleramos a dor e o passo para que passe. Meu amor, quero tanto falar-te e não sei como. Haverás de circundar tudo isto como um inconveniente breve, sei e espero. A tua força, real ou pretensa, fará os seus truques e o resto pedimos ao mar. A minha mão nunca se soltou da tua, e olha que já lá vão anos, e é por isso que sei que vai ficar tudo bem. Fica forte.
Houvesse frases de atravessar as coisas intactas.
O coração é um músculo contido. Era preciso voltar a ritmar o coração, inspirar-lhe um qualquer ímpeto como no sopro criador de deus. Há dias em que não me atrevo a sentir. Mas, se me olhasses, bastaria. Eu seria como cerejas na primavera.
The Yeatman: está programado.
Quem diz que o dinheiro não traz felicidade nunca ouviu o teu riso mineral quando os dias são de verde. Porra, sou tão feliz no teu riso nesses dias!
Não me lembro de mais nada mas acho que fomos felizes.
No meio de uma qualquer pesquisa indiferente, apareces-me. Fico sempre desconcertada quando a memória de quem fomos me aparece à frente sem outra preparação. Nunca estarei preparada. Não busco nenhum passado, mas ele encontra-me. Está um passo à minha frente. Gosto tanto daquelas pessoas. Para onde foram e como se dariam com estas?
Era tudo tão novo. Havia uma vontade profunda de nos conhecermos. A nossa curiosidade era genuína e o nosso interesse despretensioso. Revelávamos de nós o que de mais real acreditávamos ter. Nessa altura, não te quis impressionar. Não precisava. Cheguei a tratar-te por “querida”, vê só. Prometiamo-nos livros com dedicatórias e a melhor parte dos nossos dias. Não exigíamos nada, demos tudo. Talvez por causa disso. Não havia imagem a construir, nada em que alicerçar uma ilusão além das palavras. As palavras eram a nossa presença e serviam de casa e de colo. Dava-te palavras como se te desse beijos. Palavras como quem diz nunca te deixo.
Não sei contar-te do carinho inestimável que tenho por aquelas pessoas. A sua ingenuidade, a sua honestidade, a sua inabalável crença nas possibilidades do futuro. Desse sonho que encontrei num acaso, perdura o essencial, agora como antes, mesmo que não nos lembremos de mais nada. Acho que fomos felizes.
Talvez uma tempestade não se meça assim.
Ainda se operam milagres: saio de perto de ti mais cheia e, porém, mais leve.
Nem sentido nem significação: sentir, mais ou melhor?
Reconhecer um corpo pelo contorno da mão e saber-se inteiro nesse gesto. A poplítea a marcar o passo, consentindo, abrindo caminho. Não nos distraíamos por entre o caos da vontade. Avançar a contra-relógio, chegaria primeiro o táxi ou o orgasmo. Era a excitação, o desejo, e o arrepio que vinha pela tua boca e uma desordem que ficava. O sentimento a coincidir no sentir, totalitário e urgente. Hoje é só uma dormência e o incipiente tempo que foge. Não há inquietação no que é perto. Os olhos penetram fundo, mas o suspiro que surge é de lucidez, já não sobressalto. Caminhamos sobre cinzas, quando é a queimada que revolve e regenera a terra. Procuro em ti o incêndio.
Mesmo que queime.
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