Perguntou-me o que era isso da anti-biblioteca e argumentei-o desastradamente. Poder-se-ia dizer que é o que não lemos ainda, tão perto do que não sabemos, que nos mantém acordados, despertos para as tantas possibilidades do porvir. É o que não sei que me intriga, e por isso me prende e que não me deixa parar. Do mesmo modo, o que não sei sobre ti, quem és quando não estás comigo.
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Escreve como se não escrevesses.
Isto: “Enquanto o não fizer posso sempre acreditar que se o fizer o faço bem. (...) Mas se começar um livro a sério e parir merda que desculpa me fica?”
António Lobo Antunes, Memória de Elefante
Como uma onda para a praia na tua direcção vai o meu corpo.
Amo-te tanto que te não sei amar, amo tanto o teu corpo e o que em ti não é o teu corpo que não compreendo porque nos perdemos se a cada passo te encontro, se sempre ao beijar-te beijei mais do que a carne de que és feita, se o nosso casamento definhou de mocidade como outros de velhice, se depois de ti a minha solidão incha do teu cheiro, do entusiasmo dos teus projectos e do redondo das tuas nádegas, se sufoco da ternura de que não consigo falar, aqui neste momento, amor, me despeço e te chamo sabendo que não virás e desejando que venhas do mesmo modo que, como diz Molero, um cego espera os olhos que encomendou pelo correio.
António Lobo Antunes, memória de elefante
(surpreendeste-te quando disse que não conseguiria estar com alguém que não falasse Português, mas como é que eu poderia mostrar isto e isto fazer sentido, incendiar tudo?)
Como se cada pergunta fosse uma possibilidade de nascer.
Com maior ou menor resignação, carregamos todos o insustentável peso das vidas por viver, das palavras que não dissemos, dos gestos que não ousámos. Não disserto sobre o passado, todavia. O que reivindico é o futuro e suas versões, as perguntas sem resposta.
Eu sou uma pergunta.
For what? So that we can be “honest”?
Sometimes silence is caring. Before you unload your guilt onto an unsuspecting partner, consider, whose well-being are you really thinking of? Is your soul-cleansing as selfless as it appears? And what is your partner supposed to do with that information?
Esther Perel, The State of Affairs
(coisas que ouvi de ti, milhares de anos antes de ler agora o livro)
Not only do we have endless demands, but on top of it all we want to be happy.
Contained within the small circle of the wedding band are vastly contradictory ideals. We want our chosen one to offer stability, safety, predictability, and dependability – all the anchoring experiences. And we want that very same person to supply awe, mystery, adventure, and risk. Give me comfort and give me edge. Give me familiarity and give me novelty. Give me continuity and give me surprise.
(Esther Perel, The State of Affairs)
Tão fraca metáfora: um rio Ou O amor? Não me fodam.
Gosto da poesia simples, a que não engana e não oferece enigmas, a que não se vende como terapia e não cede aos lugares-comuns. Aquela que me fala como se fala, uma pessoa conversando com outra pessoa, sofrendo das mesmas maleitas, hesitando por sobre as mesmas catástrofes de se ser humano. A poesia? Não me fodam.
Ir ao Café Lenita, no Senhor Roubado, só para conhecer o rosto de Raquel Nobre Guerra, ou cruzar-me no Adamastor com Manuel de Freitas, grata de existirem e nada lhes dizer. Obviamente.
The only value we have as human beings are the risks we're willing to take.
Há quem acredite que Hemingway, ícone da escrita e da masculinidade, se matou quando deixou de poder escrever. Ironicamente, porque uma mão lava a outra, há quem acredite que foi também quando deixou de conseguir foder.
(descobri um editor à Hemingway, uma maravilha: http://www.hemingwayapp.com/)
O homem é sempre o homem e a sua circunstância.
Gostava que mais gente conhecesse o Dr. Pedro Gouveia, do mesmo modo que conhecem o Esteves sem metafísica. Aceitaria todos os conselhos do Dr. Pedro Gouveia.
Cair para dentro.
Ler Valério Romão e pensar que, mesmo que tentasse, nunca passaria de um Chagas Freitas. O irritante é que todos conhecem Chagas Freitas.
Beber contra os livros, incendiar bibliotecas.
Books you haven´t read.
Books you needn´t read.
Books made for purposes other than reading.
Books read even before you open them since they belong to the category of books read before being written.
Books that if you had more than one life you would certainly also read but unfortunately your days are numbered.
Books you mean to read but there are others you must read first.
Books too expensive now and you´ll wait till they´re remaindered.
Books ditto when they come out in paperback.
Books you can borrow from somebody.
Books that everybody´s read so it´s as if you had read them, too.
Books you´ve been planning to read for ages.
Books you´ve been hunting for years without success.
Books dealing with something you´re working on at the moment.
Books you want to own so the´ll be handy just in case.
Books you could put aside maybe to read this summer.
Books you need to go with other books on your shelves.
Books that fill you with sudden, inexplicable curiosity, not easily justified.
Books read long ago which it´s now time to reread.
Books you´ve always pretended to have read and now it´s time to sit down and really read them.
em If on a Winter´s night a traveller, Italo Calvino
Os médicos não percebem um caralho de medicina. Os médicos não percebem porra nenhuma de medicina. Os médicos não pescam nadinha de medicina.
O que eu disse à minha querida colega, a minha importante directora, e se calhar não devia ter dito porque ela não percebe, e nenhum destes merdas percebe, é que sacam logo de grandes sermões sobre a postura do médico e mais não sei quê, mas é só se lhes cheira a escandaleira, porque eu também gostava de lhes falar da postura do médico, mas é no dia-a-dia aqui dentro, percebes, dizer-lhes como nos esquecemos todos do que é ser médico, que não é aparecer aos doentes com a bata engomada, de queixo insolente, a fingir que temos três metros de altura, a fingir que somos deus ou o caralho, e a falar deles, à frente deles, como se eles não estivessem ali, como se fossem dois ou três quilos de carne, a cagar sentenças da TAC e da ressonância e do despiste da urina, e por mais doenças que possam trazer o que os traz aqui é o medo, entendes, estão apavorados, e não vejo ninguém a fazer medicina, só vejo técnicos de informática, cangalheiros a tirar medidas, engenheiros electrotécnicos que acham que se resolve tudo a soldar cabos.
O Pianista de Hotel, Rodrigo Guedes de Carvalho
(o meu pai, indignado por ninguém se importar.)
Che move il sole e l'altre stelle.
Sem que se apercebesse, cheirei-lhe o aroma do cabelo nas margens do Arno. Como no livro.
Rio Arno: os caminhos do coração são sempre certos.
Quando atravessámos o rio Arno detiveste-me e, colocando carinhosamente a tua mão sobre o meu ombro, perguntaste-me se podias cheirar o meu cabelo. A vida é tão breve!, disseste.
A Vida é Breve, J. Gaarder
Os escritores não têm de sentir nada, ou querer significar nada, têm é de escrever.
Aos poucos, vou perdendo o sentido de decoro: comprei um livro chamado “Read This if You Want to Be a Great Writer”.
I love such beginnings, with no preface, raw, hard.
Pôs-se a fazer contas à vida e, quando deu por isso, já estava para morrer.
(do livro, uma primeira tentativa)
Quero que se foda o sublime.
Quero que se foda o sublime. A minuciosa construção do absoluto literário. Assim sem emendas e em rigoroso vernáculo, parece-me mais exacto. Quero que se foda o sublime (desculpem-me a repetição). Prefiro portas fechadas, casas destruídas, chaves de pouco ou nenhum uso para gestos de pouca ou nenhuma glória que são o absoluto onde me posso sentar para beber mais um copo deste vinho que te pinta os lábios e te acende nos olhos esse fulgor de luz, esse pulsar de salto, onde me lanço para voltar ou não voltar, mas ter cumprido do sangue o impulso. Quero que se foda o sublime (começa a saber-me bem repeti-lo, o ritmo sincopado conjugado com a limpidez expressiva). Estou a falar contigo, a viver contigo, a morrer contigo. Estou a dizer-te ama comigo, sofre comigo, morre comigo um pouco mais devagar.
Jorge Roque, in Canção da Vida
You should only read what is truly good or what is frankly bad.
Li, finalmente, algo de Adília Lopes, Bandolim. Dali, aproveitei apenas uma coisa, o conhecimento sobre a teoria das catástrofes, conceito belíssimo, quase ao mesmo nível da descoberta fantástica da micro-nação de Liberland. Imagine-se, hoje vou construir um País.
Saber escolher quais os livros a comprar e quais aqueles a pedir pelo Natal é, de si, uma arte que não deve ser menosprezada.
A vida é dura para quem é mole.
As pessoas que nunca leram os Lusíadas são, geralmente, as mesmas que gostam muito de dizer que a última palavra dos Lusíadas é “inveja”. Geralmente, são também invejosas.
É a única pessoa que conheço que morreu de amor.
‘Fernanda’, de Ernesto Sampaio, não é um livro, é um luto.
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