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E ela suportava a inacção da sua inteligência e a inércia do seu coração.


(o título vem inspirado do Whitman, que sempre dá que pensar; o resto é só uma coisa minha, isto tudo.)

The London Diaries: benches

Cumprindo com uma vontade recente, arranjei já um entretenimento para os próximos fins-de-semana, por aqui (WIP). Cada um tem a sua loucura e esta não é melhor do que a vossa.


(sem conhecer tudo, acho que encontrei o meu sítio de paz: Little Venice.)

Dos incentivos, a pedido.

"A Lua de Joana", porque foi o primeiro que me mudou. 

(que a literatura nos incentive, mesmo que não nos salve.)


Eu sei que o espelho te disse que pássaros feridos não fazem ninho.

Eu sei que o espelho te disse que pássaros feridos não fazem ninho mas o espelho distrai-se muito com a encruzilhada ignorando muitas vezes o caminho. 

As pessoas mentem muito, como os mercados.

Ninguém lê. Quando me dizem que estão a ler Joyce, não acredito. Nem sequer acredito quando dizem que estão a ler Gonçalo M. Tavares, ou valter hugo mãe, embora acredite quando dizem que leram a biografia de Maria Filomena Mónica. As pessoas mentem muito, como os mercados.

Estado de espírito

"Há coisas sobre as quais não se pode escrever como sempre se escreveu. Algo muda. Primeiro os olhos, depois o coração – ou os nervos ou aquilo a que os antigos chamavam alma – e finalmente, as mãos."

Agora e na Hora da Nossa Morte, Susana Moreira Marques,
via Bibliotecário de Babel

Os estatutos do amor ou Que todo o olhar seja tão emergente como a tua palavra.


1. (Direito à Possibilidade)
Que todo o abraço seja tão contundente como o teu olhar.
Que todo o olhar seja tão emergente como a tua palavra.
Que toda a palavra seja tão urgente como a tua mão nos meus cabelos.


2. (Direito ao Espaço e ao Tempo)
Que haja tempo em bloco e não ruptura de tempo.
Que a minha ilha seja teu porto e teu porto nos seja santo.
Que a comunhão se faça tanto no beijo como no silêncio.

3. (Direito à Fecundidade)
Que do teu umbigo nasçam flores com seiva de primavera.
Que eu possa viver do seu perfume e sobreviver à sua acidez sem as desflorar.
Que o prazer não precisa de extrema-unção mas que a unção do prazer seja extrema.

4. (Direito à Perfeição)
Que a palavra “amor” nunca seja proferida em vão.
Que o amor venha já feito, perfeito e não por fazer.


Joana Serrado, Os estatutos do amor
via Bibliotecário de Babel

O teu sorriso triste de uma descrença



vai aqui uma qualquer coisa torta
como eu ser assim e tu tão outra
como eu amar, ou pensar que amo
em cada buraco de mim, por cada poro
e o teu sorriso triste de uma descrença
não sirvo, eu sei, não sou um que baste
e vejo-te fugir, de todos os teus olhos
para outros lugares, ou dias, ou homens
e mais que me endireite ou persigne, ou
cante as horas azedas, são noite os teus dias
e olhas, e olhas o espelho do que pareço ser
sem um riso, sem que digas afinal que
o dia é breve e  há outros céus onde voar

Nuno Camarneiro

Das mãos



Ontem vi o Ted e quase pude acreditar que o grande amor é a liberdade de nos peidarmos sem pudor à frente da nossa cara metade. Não descurando essa possibilidade, com a tua mão entre as minhas, prefiro a noção acima.

Do desassossego I

E ele, com voz de filho, voz de amante: Pilar, o que digo? A determinação de amar o amor mais que atingida. Na verdade, todo este parágrafo é inútil já que cabe numa imagem do filme que decorre enquanto é escrita  A VIAGEM DO ELEFANTE. Ele está à secretária. Computador diante de si. Para alcançar qualquer coisa, ela não o rodeia, antes estende o corpo sobre ele que aproveita para roçar o rosto no corpo dela, mais umas festas mansas e uma palmada no rabiosque.

E diante da interpretação de João Afonso, que tão presente deixou o tio Zeca Afonso, ouvi-lo dizer: talvez a morte não exista. 

Quem ama não pode dar-se ao luxo de morrer.

Quando já não se consegue acreditar em nada daquilo em que se acreditou, se aspirou, resolve Miguel Gonçalves Mendes mostrá-lo, porque existe, num documentário, saeta até ao céu, porque existe uma só carne que a morte não separa. E isto para mim é prova bastante de Deus ainda que não creia Nele.
 
Eugénia de Vasconcellos, no Cabeça de Cão
(negrito meu)