Mostrar mensagens com a etiqueta tu. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta tu. Mostrar todas as mensagens

Uma relação liberal: no estrangeiro

Eu - Amor, tu és a coisa mais bonita da natureza.
Ela - No estrangeiro também há coisas muito bonitas.

O amor sustenta-se no absurdo. Estar enamorado é ser conivente com uma imensa sucessão de absurdos. Nem adianta comentar sobre as circunstâncias em que estas frases foram proferidas, valem-se por si. Entre uma e outra, que venha alguém a escolher.

(indeed, you are.)

Oscar. Oscar Wilde.

Já não vale que te queixes das alergias e da carga de trabalhos: temos agora um coelho imaginário chamado Oscar.

Adoro relações imaginárias.

Marriage mini-break

Disseram-me para saber estar também longe de ti, dar-te espaço, saber criar saudade. Acho que é n'O Sexo e a Cidade que eles têm dias de folga, cada um no seu apartamento, não estou certa. Pergunto-me se isto acontece na vida real, num casamento. Como diria aquele alentejano bêbedo naquela avançada noite de Verão no largo, o meu largo, surgido de não sei onde, "entendo mas não compreendo".

This time we'll take it slow

People say you only live once, but people are as wrong about that as they are about everything

When you love someone, you open yourself up to suffering. That's the sad truth. Maybe they'll break your heart, maybe you'll break their heart and never be able to look at yourself in the same way. Those are the risks. The thought of losing so much control over personal happiness is unbearable. That's the burden. Like wings, they have weight, we feel that weight on our backs, but they are a burden that lifts us. Burdens which allow us to fly.

Bones (Ossos), The End in the Beginning

Eva, a primeira, e o fruto da árvore



Porque sempre que dizes "menina", eu te respondo "mulher".

Ao quê

Respondi com o mesmo tom sentencioso de sempre, de quem duvida da sensatez daquela decisão, "ela é que sabe o quer da vida". Rapidamente recordou-me, "tu também voltaste".

A tua lógica não é outra senão a mesma, que é nenhuma. Tu não és diferente. No amor todos nos submetemos. A diferença está ao quê.

E a outra metade também

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.


Oswaldo Montenegro

E às vezes sem se ver

Copenhaga, ida e volta, 70€

Será também isto uma relação: aceitar mesmo sem compreender. Por isso o ritual do casamento. Eu, Marisa, aceito-te a ti.

Porque tudo se escreve com a tua letra

Porque eu amo-te, quer dizer, estou atento
às coisas regulares e irregulares do mundo.
Ou também: eu envio o amor
sob a forma de muitos olhos e ouvidos
a explorar, a conhecer o mundo.


Porque eu amo-te, isto é, eu dou cabo
da escuridão do mundo.
Porque tudo se escreve com a tua letra.


Fernando Assis Pacheco

Start over again

Decidimos por nós. Conversamos tudo e decidimos continuar. Sou feliz. Obrigada a todos.

Long version

Amar e ser amada, tudo se resume ao equilíbrio sereno entre estas duas equações. Nunca menti, afinal, quando te respondia "amo-te mais". 

Dói-me não conseguir entender, dói-me não conseguir reparar, fazer nada a respeito. Fazemos planos, estamos visivelmente felizes, acreditamos que desta vez é que é, esta é a tal, esta é a minha vez, e depois, inesperadamente, tudo acaba. E vamos rever todos os momentos, cheios de urgência em descobrir onde falhámos, em encontrar os sinais de alarme que não percebemos antes. E já é tão tarde, tão inevitável, tão irreparável, que só resta tentar aceitar. Esgotar todas as forças até aceitar, chorar todas as lágrimas até as secar e ficarmos com os olhos inchados, lembrar até aceitar. O sofrimento é ideal para as auto-biografias.

Ele tem razão quando disse que o pior não é tudo o que sonhámos e não fizemos, o que magoa é termos tido algo e agora já não termos. O que magoa é como é que pessoas que se eram tudo, com o tempo, passam a ser nada. Como é que ontem eu era ainda o amor mais lindo da tua vida e agora sou um engano, como é que um dia nos demos e agora não nos sabemos, e as palavras doces dão lugar às palavras secas. O que entristece é o nunca mais. Isso é que eu não aceito e isso é porém o que se vê todos os dias.

Os amigos - que felicidade tê-los assim como são - insistem muito para me manter ocupada, para me distrair, para não ficar a remoer a lembrança, que agora importa é esquecer. Mas o que eu quero é lembrar-nos, é essencial que eu te lembre para que te consiga esquecer, e o grande sofrimento glorifica o amor que houve. O luto é essencial para a aceitação.
Pelo caminho cedemos, começas a duvidar de tudo e de todos, a acreditar que nunca mais te vais conseguir apaixonar por alguém, o tempo a passar e só tu não te resolves, a protestar porquê tu, a usar palavras como merecimento e justiça, e o caminho será longo.

Pensei hoje que, quem sabe, talvez tenha sido uma praga. Precisamos muito de tentar justificar aquilo que não entendemos, como se faz com deus. Lembras-te de te ter contado daquele aniversário a que fui e a rapariga pôs-se a dizer-me para que eu aproveitasse bem porque acaba sempre e depois, com sorte, fica o respeito e algum carinho? Pensei nisso. Pensei também naquele mito da crise dos sete meses. Pensei que fosse só um sonho mau. Queria ter acordado e tudo estar bem, como antes. Na tua atitude nobre, sincera, lembraste-me que não, hoje igual a ontem e igual a amanhã, acabou, não é o bastante. 

Não te posso e não te quero convencer, tu saberás o que é o amor. Sei que também não é fácil para ti, tenho a certeza que também não estás no teu melhor. Acredito que não vais responder, talvez derrames uma lágrima, que não mudará nada. Não te posso e não te quero fazer de má da história. Não mais vou escrever sobre este assunto, o sofrimento deve ser recatado. Todos os dias, a toda a hora, em todo o lugar no mundo, há relações que terminam. Esta é só mais uma. Esta foi a nossa. Isto ainda podia acabar bem.

(sinto tanto a tua falta.)

Como é que se sabe que é amor?

Trabalho de campo para utilização futura e ajudar quem precisa de esclarecer sentimentos.
Apelo a todos os meus queridos leitores a que deixem por favor a sua resposta.

A gerência agradece.


 


So with my best, my very best, I set you free



I wish you love.

Short version

O amor é um doce engano (no more).

Don't care now who's to blame

It's over

Não é roupa suja, desculpa se parece. Desculpa também a pressa a vir para aqui derramar tudo. Conheces-me, sabes que é necessidade, é necessidade.
Sei o fim desta conversa. Sabíamos que quanto mais prolongassemos, mais fundo e doloroso seria o corte. Chegou o momento. Sabia de antemão todas as condições e aceitei-as. Tentámos e regozijo-me nisso. Há gente que nem sequer tenta. Não altero um único ponto do que escrevi por aqui, podes ler e ainda é tudo verdade.
Agora respirar, não tentar perceber, ir vivendo. Acabou-se.

It's over: novelo

Por detrás de um problema menor, há sempre um problema maior, de fundo. Quem te mandou puxar a linha do novelo.

It's over: para memória futura

O amor não é uma construção. Não é sequer uma questão de justiça. O amor é uma certeza.

[Errata ou adenda, como preferirem: o amor tem mais de crença, de acreditar, do que de certeza.]