Não quero uma boa vida, eu quero uma vida boa.



Agora aguenta corre, bebe, fuma ou fode, fede, só na fé
Porque segunda à noite no café
A dor vai tar igual a terça, quarta, quinta e até
Chegar a sexta e conversar com Deus ou Lúcifer.

Ah, as pessoas.

A mãe que reclama das regalias dos refugiados é a mesma que brada que o filho teve muita coragem em emigrar. O desempregado que prefere ficar com o cu sentado no sofá enquanto recebe subsídios é o mesmo que dirá à boca cheia no café, vendo as manifestações dos professores na televisão, que anda uma pessoa a pagar impostos para isto. O homofóbico que desanca de alto a baixo os anormais que são os paneleiros é o mesmo que se excita noite adentro frente ao computador vendo outros homens a bater punhetas e que dirá à esposa que ficou até tarde na sueca. Os pseudo-depressivos que vão coitaditos a pedir uma baixa médica ao senhor doutor são os primeiros a criticarem as greves dos enfermeiros. As velhas que não largam a igreja são também aquelas que mais mal-dizem as vizinhas. Os cobardes haverão de olhar e calar as injustiças, dizendo ao mesmo tempo que estavam tristes, tamanha dor no peito, mas ai daqueles se fosse uma filha ou uma neta deles. Os riquinhos que não entendem como é que a amiga se mete a jeito a colocar fotos das crias nas redes sociais mas que desatam a tirar fotos aos pretinhos de são tomé e se possível também com eles, tadinhos. O dono do restaurante que não passa factura, dizendo que os políticos são todos uma mesma cambada de ladrões. Melhor, taxas de abstenção às urnas de voto de bradar aos céus mas, deus, o insulto maior é mesmo que se jante ao lado dos restos da Amália. E aquele ultraje do hotel que tinha um tapete com a bandeira nacional? É a gozar, só pode. A junta de freguesia que proíbe queimadas, porque já se sabe, o drama dos incêndios, é aquela que vai lançar fogo de artifício no fim-de-semana em honra de são sebastião, que os outros têm outras preocupações com que se ocupar. Os turistas fazem muito mal à habitação local mas, se vierem para o websummit, somos todos webparolos em euforia. Making Portugal great again. O senhor taxista não é racista mas um grupo de pretos na sua viatura é que não pode ser, tem de abandonar, consulta às quatro. Estrangeiros em Portugal, isso é que era bom, já tivemos kosovaros e romenos que chegue mas, se forem brasileiras que sirvam p'ra prostituição, para nos fazerem a depilação, ou para os alisamentos ao cabelo, até conseguimos criar aí um visto gold ao domingo. Finalmente, o exemplo mais perfeito da hipocrisia, o universo feminino tão cheio de contradições e, por isso, tão fascinante. Um pouco como aquelas mulheres que dizem que o mais importante numa relação é a sinceridade e a seguir fingem orgasmos.

(depois de ver esta notícia, que deveria ser um caso de orgulho mas, lêem-se os comentários no Facebook, e percebe-se logo tratar-se de um engano. Era, afinal, um caso de ignorância, a nossa. No caixão, ouve-se ainda a voz do tio J’quim: “a vida tá boa é p’ra vocès”. Não falha.)

A vida é dura para quem é mole.

As pessoas que nunca leram os Lusíadas são, geralmente, as mesmas que gostam muito de dizer que a última palavra dos Lusíadas é “inveja”. Geralmente, são também invejosas.

He’s a farmer.

Olha-me com surpresa quando lhe respondo, como se o facto de eu ter um irmão agricultor fosse um facto exótico. Depois, pergunta-me se ele ganha o suficiente para sustentar a família. Clássico.

Da educação.

Ainda há quem julgue que educação é, não tanto saber distinguir um concelho de um conselho mas, sobretudo, referir-se ao caixa do banco por Sr. Doutor. Com maiúsculas, claro.

Do significante da palavra: ele era muito meu amigo.

Ele nunca me bateu.

Do significante da palavra, conceptualização do mundo.

O Presidente Iraniano a anunciar o fim do Estado Islâmico é tão credível quanto o Governo Britânico a anunciar que, doravante, animais não sentem dor ou emoções. Tudo uma questão de palavras.

Green Man W1

Passado um tempo, a amizade resume-se a duas questões: como está o trabalho e como está a família.

Relationship / Parenthood Goals

Randall e Beth, do This is Us.

A paixão é às vezes, o amor é todos os dias.


The most painful state of being is remembering the future, particularly the one you’ll never have.

Há dores que deviam ser proibidas. Desabo mal vejo as fotografias. É uma dor que não me pertence mas que tomo por amizade. Penso nos meus, nela, no impossível de encontrar uma decisão certa. É real, tem um rosto que é só seu, uns olhos que se vêem, uns dedos que se agarram, um cheiro que lhe pertence mas, não existe. Foi feita para o futuro mas, o futuro não foi feito para si. Nove meses depois, partiu como chegou. Amor e lágrimas.

The only way out is in.

Por serem planos, todos sairão falhados. É verdade que o tempo é o que de mais precioso podemos oferecer a alguém.

Nunca sei o que lhe responder quando me diz que se sente triste.

Não é que a magoe, diz, é porque os outros falam.

É a única pessoa que conheço que morreu de amor.

‘Fernanda’, de Ernesto Sampaio, não é um livro, é um luto.

Da propriedade.

Até mesmo no bordel, a cada um segundo a sua possibilidade num claro expoente do comunismo, o cliente apaixonado há-de um dia pedir à puta que não se deite com mais ninguém.

Coisas em que acredito:

Pessoas que passam toda a viagem de metro aos beijinhos de passarinhos ou que não se largam aos mãos nem para irem à merda da casa-de-banho pública têm problemas de carência afectiva profundos.

Coisas em que acredito:

Pessoas que compram Porsches Boxter são pessoas com falta de gosto, falta de imaginação, ou falta de dinheiro.

If we ever stop talking, send me a song.



Parto rumo à maravilha
Rumo à dor que houver pra vir
Se eu encontrar uma ilha
Paro pra sentir.

People come and go. Some are cigarette breaks, others are forest fires.

Poderias ter sido cinza a esfumar-se nos dedos mas, quando dei por isso, já tudo em volta ardia.

O pretérito não é perfeito, o presente pouco indicativo e o futuro condicional.

O amor é um verbo impossível de conjugar, disse ele.

Aqui ninguém ignora que os lagos gelam a partir das margens e o homem a partir do coração.

São ainda apenas duas azeitonas a mirar o mundo. Um dia reconhecer-me-ás e o horizonte haverá de ser um ponto distante a chamar o teu nome. Querem que cresças. Por mim, serias sempre essas duas azeitonas a mirar o mundo, a fragilidade maior do meu amor. Um dia serás crescida e eu serei lago, margem, coração.

Every moment happens twice: inside and outside, and they are two different histories.

Ouvi a uma sem-abrigo, num programa de televisão, a poesia mais inquietante que se publicou em Novembro: quando batem à porta perguntam quem é, não perguntam quem foi.

It’s important to leave people more confused than how you found them.

Tal como todas as famílias são normais até as conhecermos, todas as pessoas são (des)conhecidas até se embebedarem juntas.

14,703,875.00

Por um par de segundos, estivessem reunidas todas as condições, seria verdade. Se a sequência incrível dos acasos se dispusesse a alinhar com astros e fantasias, hoje seria outro dia. Porém, são os amores incompletos os mais perfeitos e são os sonhos por realizar que nos alentam ainda as horas, as mais tristes e as outras. É tudo o que não sou quem me faz ser, o porvir sempre por cumprir, a espera feita esperança. Dispondo de tudo, não procuramos nada. Sem nada, haveremos sempre de querer tudo. Se um dia a sorte me calhar, nem precisa de ser a grande, não haverei de fazer uma volta ao mundo.

Mesmo cool.

Gosto de pessoas que vão ao WebSummit na mesma medida em que gosto de pessoas com MBAs: desprezo ambas.