Would you run away or would you run to me?


Fundamentos: VII

Como as tuas ideias simples perturbam a minha existência tendencialmente complicada.

Hopeless romantic seeks filthy whore.

Há dias em que sou feliz simplesmente com o eco das intenções.

All good things are wild and free.

Vemos A Bela e o Monstro juntos. Olha-me surpreso e assustado enquanto pergunta:
- Madrinha, por que é que estás a chorar?
 
Quando o deito, descubro que ainda adormece agarrado ao Sr. Bigodes e ao Poo e que entala as calças do pijama dentro das meias. Olho-o no sono. A vida é subitamente perfeita.

Eu finjo que sou de pedra, que sou dura na queda.

Não te beijei, não te abracei, nem sequer te disse olá. Abri a porta do carro e disse-te para seguires aquele outro, depressa. Depois disse que me embaraçavas. Que detestava os teus pontos de interrogação. Depois ainda, chamo-te galdéria e mais um ou outro nome carinhoso. Entendemo-nos assim. Talvez tu sejas a pessoa que melhor me conhece e eu seja sempre a que mais precisa de ti. Talvez a amizade seja assim e tu me tenhas feito falta, o que se diz das saudades.

They go to bed with Gilda, they wake up with me ou Só tenho o blog para declarações.

Gosto de ti além de qualquer conceito.

Memória e raiz ou Ninguém sai donde tem paz.

O meu quarto é, cada vez mais, uma biblioteca-museu.

Ser-te útil, só mais uma vez.

Parece que sim, que agora é diferente.

O riso é diferente. O silêncio é diferente. O tom é diferente. O idioma é diferente. O abraço é diferente. O cheiro é diferente. O gosto é diferente. O toque é diferente. As palavras são diferentes. As canções são diferentes. As histórias são diferentes. Os gestos são diferentes. Sim, tudo é diferente. E até mesmo a justificação que daríamos, eu e tu, para explicar esta diferença, seria diferente. Mas és tu, mas sou eu.

Das métricas

Só conta se estiver no Womanlog.

La douleur exquise: better to have been with than live without it.

Às vezes é preciso que chegue a realidade de todos os dias para confirmar que a parte mais bonita de nós é sonho. Hoje, tudo isto parece-me irreal, como um hiato de sonambulismo que, por uma vez, se reconhece. Pause, play. A vida que poderia ser, parece-me que foi ontem. E foi.

Independente do que aconteça.

Basta soprar (por baixo, o fogo, vivo).

A palavra que não te digo, aquela, implícita, guarda-a entre as tuas mãos. E depois liberta-a à noite, quando eu tiver partido para um tempo irrevogável, para que possa ecoar vida afora dentro da memória do corpo, misturada no canto de uma canção que mais ninguém conheça. Amar-te e partir, para nunca mais fugir àquela palavra.

Chegas suave, conheces-me bem, tens as palavras certas e a ternura também.

Qualidade de vida é conservar-se ainda o teu cheiro sobre a minha pele.

Nenhuma sílaba foi perturbada.

Não é a doença que o preocupa, pois essa passa por ele inalterada. Mais desespero houve em todos os amores perdidos, os incêndios flagrantes do seu horto, do que na doença. Fala dela, sim, mas como quem poderia dizer que hoje chove, a única distância admissível ao inevitável. No diário, regista "queriam que falasse mais da doença?" mas o rosto irreconhecível, a queda do cabelo e dos pêlos pûbicos no dia de Natal, a pele que vai caindo, os exames e os comprimidos, o mijo, são descritos factualmente e sem adjectivos ou concessões. A vida é o que é. Só a caligrafia cada vez mais mutilada o perturba, só a escrita cada vez mais impossível. Mas a vida é o que é.

(comecei e acabei de ler o livro no mesmo local, com quase um ano e meio pelo meio. finalmente, pode agora fechar-se em paz.)

As revoluções não fazem mudanças; conduzem a elas.

Nada como desafiar o conceito de liberdade para se perceber o quanto o mesmo é desvirtuado em Portugal. A liberdade não é 0 25 de Abril. O "Mural da Liberdade", pela SIC, é um abre-olhos.

Seja do dinheiro, dos amigos, dos amores, dos momentos, das memórias.

Não é quanto ganhas, é quanto guardas.

Who gives a fuck about an Oxford comma?

Poupe-se o estudo e o uso de outros tempos verbais porque o passado é sempre mais-que-perfeito.

Alta definição ou Esta música não me acende I

Não gosto de pessoas que confundem verbos e pronomes, nomeadamente, o pretérito imperfeito do conjuntivo e o presente do indicativo (ex: lavasse e lava-se). Pior do que isso, só o uso exagerado de pontos de exclamação, interrogação ou reticências. Não precisam de saber o que é a vírgula de Oxford, basta terem uma mera noção daquilo que é ou não adequado.

Alta definição ou Esta música não me acende

Não gosto de pessoas, homens ou mulheres, com sapatos de vela.

Em que lado da memória escondeste o mar?

Podes vir quando quiseres, já fui onde tinha de ir.

Há dias em que sente-se na tua voz o mesmo toque da pele. Nesses dias, a tua voz não é coisa de ouvir mas de tocar e acariciar. É uma voz de agarrar e puxar para mais perto, uma voz com corpo. Agora só te quero ouvir.

Faz-me rir e eu prometo que nao te faço chorar.

Na superfície da palavra que se precipita inevitável, sou sempre injusta. Não posso escolher se sou injusta comigo mesma ou com a imagem que fiz de ti. Não sei dentre as duas qual a mais (ir)real mas sei a que melhor devo proteger.

(às vezes, numa imediata lucidez, percebo por que é que nunca quis manter nenhum diário.)

The art of always wanting what's impossible to get, do, or have.

Tem a sua piada: perdi uma coisa e nem sei o que seria.

E, porém, só o conhecido pode ser perdido e o desperdício só ocorre em face de alternativa melhor.