Love was all the silence, all the music, around me and in my head.

E eu enganei-me e comecei a responder.

Resumiste o amor como uma equação fácil de resolver, um conjunto de evidências claramente observáveis à passagem do tempo e, nessa noite, fui deitar-me intrigada, quase acreditando que poderíamos estar também nós no mesmo pé de igualdade do que os outros.

There is no description without performance.

Poucas afirmações são, de facto, literais. Literalmente falando, tudo isto são metáforas.

To catalogue the world is to appropriate it.

Repara que é a ambivalência de todos os estereótipos que conduz ao princípio da exclusão. Quem nomeia, apropria mas, fazendo-o, exclui também.

By dismantling we build.

Alguém inteligente escreveu que a pergunta mais aborrecida que se pode fazer sobre deus é se ele existe ou não. A mesma coisa pode dizer-se a respeito de qualquer disciplina dita social. Não há factos, só há ideias. Não há regras, só há construções. Não há verdade, só há verdades. É por isso possível que o conhecimento mais maduro não seja o que se constrói de causa mas o que se constrói de distância. O conhecimento de causa, sendo importante, não deve ser sobrevalorizado sob prejuízo de se levar demasiado a sério, arriscando a inflexibilidade do pensar e o paternalismo a que quase sempre sucumbe a experiência. Não te limites, não te deslumbres. Para saberes de um assunto, procura as respostas noutro. Ele a dizer que tudo é sobre sexo, excepto o sexo, por exemplo. Para saber do poder, leio sobre mapas. Para saber de metáforas, leio sobre esquizofrenia. Para saber do mundo, pergunto por ti.

Quando reparei, estava maravilhada com a cartografia invisível da história. Mapas que não são estradas mas antes silenciosos árbitros do poder das nações. Fronteiras que são proposições políticas, pontos de interesse que são significado, contexto e imagem que legitima e influencia a realidade. Nenhum mapa é território se todos são paisagem.

Dos efeitos colaterais ou Momento em que uso-me dos outros para parecer bué culta

Se nada daquilo se aproveitar, registe-se aqui, ao décimo sétimo dia do mês de Dezembro do ano da graça de dois mil e catorze, que teve pelo menos o mui apreciado mérito de apresentar-me o trabalho de Foucault, Derrida, Chomsky e as virtudes aristotélicas, com especial incidência sobre o entendimento da phronesis, vulgo, prudência e, desse modo, contribuir para o enriquecimento ilusório de conteúdo deste blogue. Valha por isso.

The omnipresence of power.

The omnipresence of power: not because it has the privilege of consolidating everything under its invincible unity, but because it is produced from one moment to the next, at every point, or rather in every relation from one point to another. Power is everywhere; not because it embraces everything, but because it comes from everywhere. 

Foucault

How to lose friends and alienate people.

Leio a notícia sobre as vagas para a especialidade e a sério que ainda não percebo a razão para tanto drama.

No one's here to sleep.

 

Everywhere I look I fall.

Perhappiness: believe it or not this very if is everything you got.

Há perguntas que não nasceram para serem feitas, respostas sobre as quais apenas é possível esperar.

Alta definição ou Esta música não me acende

Não gosto de gente complicada, que planeia ao pormenor e em antecedência. Não gosto de gente que demora a tomar decisões. Não gosto de gente que tem medo de arriscar, que só segue o conhecido e seguro. Não gosto de gente que critica as greves da TAP, porque deviam era ir trabalhar, mas que continua a voar TAP, porque a Ryanair é muito mais barato, logo, pior.

We were so vacant and kind.


Oh, when I lift you up you feel
Like a hundred times yourself
I wish everybody knew
What's so great about you.

Os homens fazem casas, as mães fazem lares.

Este é um sentimento a prazo, em que vou poupando o máximo para, em breve, partir com o máximo. Não quero desperdiçar nada, aproveito tudo, invisto tudo. Tem um tempo de acontecer, uma validade que importa respeitar para que não azede, juros que não quero perder na tentação dos levantamentos antecipados. Usamo-nos de medidas diferentes, a minha uma contagem decrescente, a tua uma contagem que não pára, a vida quase aí. Há quem seja infantil nos seus sentimentos e há quem seja infantil nas suas dores. Quando a minha primeira dor rolou para a almofada, tu não reparaste e eu preferi que assim fosse. É uma dor consentida, conhecida e impotente, e sobre essas adianta pouco que nos queixemos. Quando cair, escalabardado, não serei eu, mas sei que a maturidade do futuro encontrará o meu lugar, tão certo e planeado. A liberdade do amor é cheia de renúncias, bem o sei, e nenhum milagre é maior do que o da natureza. Quando este sentimento a prazo atingir a sua maturidade e a felicidade te abraçar em cada regresso a casa, todos os rascunhos estarão cumpridos. Não sobrará nenhuma dor e seremos ricas.

Esta coisa da alegria ainda vai dar muito certo.

Foi sem querer que senti aquilo. Quando reparei, o peito jubilava de alegria por um desejo que até ali eu nem sequer sabia existir. É possível esperarmos até pelo que desconhecemos. É possível que o que desconhecemos seja afinal aquilo por que sempre esperámos.

(a novidade importante era afinal outra.)

I am very, very, very, very happy.

Conhecia alguma coisa de Portugal. Não me falou do Cristiano nem do Mourinho mas falou-me do Benfica e do Porto. Desprezava os turistas ingleses que achavam que Portugal era o Algarve e contou que achou-se no meio do nada durante uns tempos, em Vila Chã, mas que gostaria mesmo era de um dia morar em Sagres. Disse que eu tinha muita sorte por ter aquele País por casa, ele, Irlandês, que chega e acende a lareira. Quando lhe respondi que casa não é um lugar, repetiu a minha conclusão. I understand, disse.

Depois disse que, mesmo assim, era "very, very, very, very happy". E eu sorri feliz na felicidade dele, consciente da raridade que é encontrar hoje em dia quem consiga reconhecer e aceitar, sem hesitação ou desconfiança, a sua felicidade.

Só a tua consciência poderia agora acusar-te.

A ética, sendo a distância que medeia entre o bem e o mal, não é universal ou fundamentalista mas antes parece ser contextualizável e conceito próprio a cada um, definível de acordo com o que caiba no tamanho das suas consciências e na disposição errática dos caprichos. Assim, nenhuma conduta pode dizer-se certa ou errada à luz das regras, leis e costumes, que são de todos. A culpa não é objecto mas só sujeito, não pode ser recebida mas só assumida, não acontece pela consciência dos outros mas apenas pela tua. Só é culpado quem se sente culpado.

Bullshit baffles brains.

Tão inteligentes, tão inteligentes, que nunca ouviram falar em inteligência emocional.

Gosto tanto quando dás um pouco mais de ti.


Deixa cair o véu, prometo não cairá o céu.

Meaning is never fixed.

O passado acontece sempre em diferido, só ganha significado no futuro. O sentido das coisas vem depois da sua existência, é a hora seguinte que afecta a precedente, amanhã isto fará sentido e já não será este. A verdade surge-nos imediata mas mutável e o que se diz ignora o que se faz. É na pele que se decifram todos os sentimentos, é ao sabor dos caprichos que se reescrevem todas as memórias. Somos, eu e tu, uma antologia de luas e marés, a metáfora duma razão mal esquecida. Quando o passado de hoje vier, ouvir-se-á ainda o canto de ave no peito a contrariar o espaço. Pela noite adentro, dou-me aos passos do mundo. E escolho ser esta saudade que não se encerra.

Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.

O risco não é de eliminar mas de entender. A complexidade não é de reduzir mas de navegar. Não queiras afastar o medo pois é o medo o que te mantém atento. Nenhuma conquista está completa, nenhum passo se imobiliza, nada é de perder. A incerteza, como a ambiguidade, não são defeitos mas características. Quando o desassossego te inquietar, lembra-te que a verdadeira escolha é aquela que se faz à luz da transparência e conhecimento de todas as possibilidades. Lembra-te que nenhuma fronteira pode deter o homem que é livre.

Queres escola, eu dou-te.

Dizem que Fernando Pessoa nasceu no mesmo dia que Nietzsche e há dias em que acho que bastaria saber isto para explicar todo o funcionamento do mundo.

Sou de business ou Filho, ouve a tua mãe: no que importar, dá sempre a cara.

Aceita apenas a liberdade sobre a qual te possas responsabilizar. Não queiras para ti a falácia duma liberdade irresponsável.

Sou de business ou Filho, ouve a tua mãe: há decisões que só tu podes tomar.

Dá a outrem toda a autonomia numa tomada de decisão apenas se tiveres de facto tempo, paciência e alheamento suficientes para esperares que se decidam.

Sou de business ou Filho, ouve a tua mãe: as empresas servem para dar lucro.

Metem em marcha um programa de fortalecimento da marca junto dos empregados, frisando a importância de uma missão clara e valores comuns e partilhados por todos. Depois, o primeiro argumento que usam para justificar tal programa é aquele de que as empresas com uma missão clara e forte apresentam melhores resultados financeiros do que a concorrência.