La vida es una tombola.

Let’s be scared together.

Three words better than “I love you”: it is gone.

I carry your heart with me (I carry it in my heart).

Tem pressa e nota-se-lhe a excitação na contagem. A felicidade dela é chegar ao “dez!”, a minha é continuar a ouvi-la assim feliz.

O mar guardado.

No elevador, uma estranha despede-se do nosso encontro de quinze segundos: “have a good day!”. Ainda há bondade no mundo.

Does this mean you might overtake E. as the youngest female Fellow...awks!

À primeira vista, é o que se pode chamar profissionalmente bem-sucedida. De um modo invulgar, teve sucesso cedo demais. Agora preguiçosa e cansada, interessam-lhe cada vez menos essas vaidades e não busca competições inúteis. Se a outra quer a ribalta, os méritos inflamados de coisa nenhuma que não ego, que seja. Ela não chama já a si a responsabilidade pelo futuro da profissão. A única competição é consigo, como naquela história do pescador que pesca o peixe, mas o lança de novo à água. O peixe sabe-se pescado, o pescador sabe que o pescou. E isso basta.

País de restos de palavras.

Em Inglaterra, os conas dizem “sugar” para não dizerem “shit”. Pior que isso, só o amorfo Português “fosca-se”, que ninguém sabe o que significa. Não temos sequer coragem de reivindicar a nossa língua, respeitar-lhe o legado, assumir as nossas palavras. Porém, temos ambições, esperamos muito os grandes feitos pelos nossos filhos.

Beer is cheaper than therapy.

As três coisas que mais me irritam hoje em dia: má-educação, incompetência, e conice.

The books are all out of the shelf now.



Driving hundred miles just to find you well.

Esa sensación de no haber perdido tu tren.

Gosto muito do verbo “acostar”, em Espanhol. Numa tradução literal, não encanta por aí além. Se não me falha o entendimento da língua, que não tenho desta doutrina mais confiável do que aquela que lhe inflijo ao ousar as séries sem legendas, tem o mesmo sentido do Português “ir para a cama”, seja de deitar-se para dormir ou de deitar-se com alguém, um eufemismo dos mais virgens. Contudo, como é poeticamente belo acostar-se em alguém. E também dolorosamente verdadeiro, pois nunca chegamos a ocupar ou a conhecer o território desse outro por inteiro. Com sorte, porém, encostamos a um corpo, encontramos amparo, damos à costa.

Aproveitei-me da tua inesperada boa disposição para te examinar o rosto e assim permaneci por um bom par de segundos, apenas sorrindo para o ecrã ao ver o teu sorriso torto, de quem cede e ao mesmo tempo de quem desafia. Reclamas mas gostas. Enche-me de alegria continuar a encontrar as covinhas no seu lugar, sobretudo quando mais provocadas de intempéries. Se me visses neste instante em que escrevo, repararias que nem agora consigo evitar o sorriso na lembrança do teu. “A comida é boa, o coração é simples.” Poder olhar-te nestes momentos incertos, mistérios que o universo lança a contornar a desordem de existirmos, é-me uma dessas sensações de alívio e de paz. Aquela ainda és tu. E eu ainda sou quem quer acostar em ti.

Sinto mas não sei dizer.

Não sei o que tanto conversavam ou silenciavam. Não estava propriamente a prestar atenção. Haverá de ser um desses segredos que se formam entre avó e neta. Se vos chamavam, viravam-se como se vos tivessem apanhado desprevenidas num delito. Não sei se, com essa idade, conseguem já discernir claramente o bem que fazem uma à outra. Estavas de pé em cima da cadeira, vestido vermelho e fita na cabelo, e a avó do teu lado direito, ambas dando banho ao "bebé" no lava-loiças da cozinha. Que eu não me esqueça deste momento.

Madalena, presta atenção.

O mundo não é dos bonitos nem dos magros, mas dos que têm confiança em si mesmos, a auto-estima no sítio, e por isso avançam sem mariquices.

(vi-te a perseguir pombos, sem medo, e soube logo ali que o mundo há-de ser teu.)

Numa vida em construção, os dias são acidentes à espera de vez.

Não importa o que seja. Agora apanhaste a mania de dizer “partiu!”, com espanto, sempre que algo cai ao chão e só te faltaria abrires os braços para seres um emoji do WhatsApp. Eu, que só te quero o bem e sei que viver é também essa aprendizagem, espero que não seja longo o dia em que entenderes que aquilo que parte mais facilmente é um coração.

Não estou com vontade de falar.

Com uma amiga chegamos a um tal ponto de simplicidade ou liberdade que às vezes eu telefono e ela responde: não estou com vontade de falar. Então digo até logo e vou fazer outra coisa. 

“Liberdade”, in Todas as Crónicas, de Clarice Lispector

(não minto quando digo que nunca conheci ninguém tão livre quanto tu)

If I dazzle you with cultural references will you go home with me?

Notava-se que não fazia por exibir-se. Quando falava, existia uma razão para falar e era preciso que se julgasse certo para arriscar uma frase em público. Era um homem bonito, seguro de si e lacónico. Não gostava de desperdiçar nada. Nem palavras. De certa forma, foi por isso que lhe perdoei o cansaço do almoço. A verdade é que é possível que eu engane muita gente. Até mesmo aqui. Sobretudo aqui. Quando lancei para o ar a referência ao 1984, de Orwell, não foi porque estime 1984 acima de outros enredos. Quanto muito, lembro-o mais por coincidir com o ano em que nasci, simplesmente. Posto isto, eu não esperava uma resposta e muito menos uma pergunta. Quando começou com as ideias do political realism e as menções precisas aos personagens, eu já tinha abandonado, consulta às cinco. A verdade, aqui me confesso, é que não sou dada a essas conversas ditas profundas, tantas vezes apenas conversas instantâneas de pessoas instantâneas. Entediam-me de morte e a minha tolerância à conice e seus variados espectros vai diminuindo, parece. Resisto por uns cinco minutos, vá, e depois tudo me é um exercício de esforço.Tenho uma ligeira impressão que isto se acelerou por influência dela e só lhe posso agradecer. Gosto de ler, sim, ver filmes e espécies afins, mas não há nisso nenhuma sequência que se possa exigir e todos os silogismos me vão falhando. Eu não tenho fundo para poder ser profunda.

Das comemorações.

É triste: precisamos de dias para comemorar tudo, antes que tudo nos passe ao lado.

Havia mortos de câncer, mortos de bomba atómica, mortos de amor, de fome, de ódio, de miséria. E nenhum morrera porque um dia estivera vivo.

Fala do engenho dos homens que, não sabendo lidar com o peso medonho da eternidade, se enganam dividindo o tempo em estações, em anos, em meses, dias, horas. Já diz o busyness que não se pode gerir o que não se pode medir.

A galinha da vizinha.

Ao ver a sua reacção quando lhe disse que vinte mil euros não chegam para nada, lembrei-me da minha reacção quando ela outra me disse que meio milhão não chega para nada. Continuo firme na crença de que o Euromilhões se gasta num instante, mas não posso deixar de reparar neste fenómeno que não é novo mas que persiste curioso. O mundo é o mesmo, mas já desde a escola primária cada um aprende a medi-lo com a sua própria régua e esquadro.

I have to start this over because I really want to get this right.

Not brave.

Tenho a ligeira suspeita de que quem critica a falta de liberdade de expressão das mulheres no Ocidente nunca viu um espectáculo de humor da Amy Schumer. Não dou nota disto por ela ser uma mulher a dizer o que diz. Digo-o porque, se fosse um homem, já teria sido crucificada.

I just wanted you to know that baby, you're the best.


Como quem pede um desejo.

Se acontecer que a poesia algum dia volte a mim, haverá de ser "Poplítea".

Me haces la cama, me haces el desayuno, me haces feliz.

Não sei voltar aqui sem voltar a ti. É demasiado previsível, bem sei. Chama-lhe o meu romantismo, a minha habitual nostalgia das terças-feiras ou, se preferires, neste momento, a minha preocupação, sei lá. Talvez tudo misturado, como só faz sentido que sejam estas coisas. Esta cidade é para mim como os ponteiros do relógio de Saramago a pararem quando conheceu Pilar e, se me conheces, nem precisas de conhecer esta história. Já sabes que significa tudo. Esta é a nossa. Naqueles questionários parvos sobre loucuras, penso sempre nesta. Chegar às sete da noite, partir às sete da manhã, quase ter perdido o avião, querer muito perdê-lo. Não me lembro de ter dormido, embora acredite nessa possibilidade. Afinal, o amor cansa. Recordo o nervosismo, a vontade, os teus olhos límpidos, o sorriso de dorme-bem-boa-noite-beijo. Lembras-te do braço-de-ferro? A nossa inocência comove-me tanto como a felicidade daquela noite primeira e preocupa-me não ter a certeza, a esta distância, de onde está a tua t-shirt. Foi aqui que aprendi a anatomia dos sentimentos, a palpitação omnisciente da poplítea. Foi também aqui que aprendi, contigo, o lugar exacto do coração.

(cuida de ti, por favor. é que de repente apercebi-me que preciso mais de ti do que julgava e ainda temos o Yeatman para experimentar, amor)

If you’re happy and you know it, overthink. Give your brain a chance to blow it. If you’re happy and you know it, overthink.

Quando o amor é grande demais torna-se inútil: já não é mais aplicável, e nem a pessoa amada tem a capacidade de receber tanto. Fico perplexa como uma criança ao notar que mesmo no amor tem-se que ter bom senso e senso de medida. Ah, a vida dos sentimentos é extremamente burguesa.

Uma Revolta
in Todas as Crónicas, de Clarice Lispector

She likes tough love.

- Você já sofreu muito por amor?
- Estou disposto a sofrer mais.

Entrevista-relâmpago com Pablo Neruda (final)
in Todas as Crónicas, de Clarice Lispector

Porque é que a Marisa atravessou a estrada? Ou, atravessei a estrada e tive uma epifania de auto-ajuda.

Lembra-te que só a ti cabe decidir caminhar na rua pelo sol ou pela sombra. Tal como na vida, basta que atravesses a estrada.