Asi la gente cuando la vea se dirá que bella flor.


Um dia encontras um corpo e até lá não sabes nada.

A tua mão pousada na minha contraria todos os mitos. Já não sei nada.

A partir de um certo ponto já não há retorno. Há que alcançar esse ponto.

És o meu ponto sem retorno.

Quando encarna a chinesa.

Pergunto-me como virá a ser. O que lhe interessará, como será na escola e com os outros, o que lhe meterá medo e por que injustiças e convicções não vacilará. De vez em quando desce-lhe uma chinesa e, imperceptível e determinada, não conseguimos evitar não nos rirmos. E tu não entendes porque não entendemos, meu amor, e falas mais alto e mais depressa como quem nos chama burros ou incompetentes. E eu rio-me mais, rio até me doer a barriga e o meu corpo ser demasiado pequeno para tudo o que leva dentro.

Não cresças mais.

É um gesto mínimo a que ninguém ligaria. Nem eu me lembrava já. Mas, do nada, conta-me que já acabou o livro. Não se esqueceu.

J.

Olhar-te o olhar ternurento de mãe que serás e o conforto de quem se sabe abraçado. Enchem-se-me num imediato os olhos pela mesma medida do peito. Podíamos ser nós, amor. Poder chegar a casa e encontrar-vos assim e não precisar de estar em mais sítio nenhum. O sonho é teu, eu sei, mas quem acordou a sorrir fui eu.

Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram.

Não temos idade nem lugar que nos acolha. Somos rio que não desagua, só sabe correr. Nem existe, só persiste. Eu e tu contamo-nos por épocas.

VDTD

Não te metas em sociedades se não consegues jogar a meias no Euromilhões e dormir descansada.

Dos pactos: Zulema.

O papel de uma mãe não é (só) proteger-te, é preparar-te.

Nado ao rés de ti, isto é, ponho-me a escrever.

Vem tudo perro, contrariado que nem um cão que se engasga no esticão da trela ao pescoço pelo dono impaciente que não quer saber dos princípios do mijo e da territorialidade para nada. Tosse mas segue. E não se sabe se segue porque acredita que há outros cães e outras paredes e mais mijo para cheirar lá adiante ou se segue por não ter outra escolha. O que é certo é que segue. Assim isto. Que me custa e me ocupa e por vezes até me envergonha, mas de que não me livro, por esperança ou teimosia. Espero que por teimosia. Hoje nem uma metáfora.

A story of modern love: two people, both waiting to text first.

O espaço (a distância) e o tempo (a ausência). Cara ou coroa. Qualquer que te saia, é um engano. São estes os pretextos mais fáceis. O que lhes falta em imaginação, sobra em desresponsabilização. Até o tempo, que dizem o maior cretino, é, na maioria das vezes, escolha.

Um dia sofrido é um dia perdido.

A culpa é o sentimento mais inútil de todos.

Barrigas de gesso.

Dei-me conta de que já não sei do que gostas ou do que não gostas e que é bem capaz de saber melhor o livreiro dos meus gostos também. O essencial, espero sabê-lo ainda. Porém, parecendo muito, chega a ser pouco. A vida é larga, mas cimenta-se nas decisões pequenas, no quase imperceptível, se vais ao ténis ou se vais ao yoga, se ouves a RFM ou a Comercial. As dicotomias de sermos vão além de nós. São alianças, afrontas, embaraços, vaidades. Foi o tempo, quem nos ditou paralelas, ou distraímo-nos por um segundo e bastou esse? Respirei de alívio quando soube que não gostavas de barrigas de gesso. Da minha vergonha, não a conto.

Alta definição ou Esta música não me acende I

Sinto vergonha alheia por quem faz baby showers, barrigas de gesso, bolos de fraldas, festas de finalistas na creche, exames no quarto ano, não usa vírgulas no vocativo, e coloca o NIB em convites de casamento.

Alta definição ou Esta música não me acende.

Nutro um pequeno ódio de estimação por pessoas que colocam fotografias “sem filtro”.

Enches-me de saudade.



Os olhos tão gigantes e a boca tão gostosa.
"Felicidade é escutar essa música sem pensar em ninguém."

Eras o que foste, metáfora do que eu tanto te quis. O fogo, o ferro, o futuro.

O que sobejar ainda, dará poemas.

Ela é todos os invernos adiante.

Tu ainda não acreditas, mas garanto-te que podíamos fazer isto. Se tu quisesses, conseguíamos. Repara como o que te proponho vai além do meu romantismo e até dos sonhos perfeitos que outrora guardámos. Também sei ser racional e pragmática e, se tu quisesses, isto funcionaria. Numa insuspeita arquitectura dos acasos, convergimos para o mesmo tempo e espaço e todas as estrelas mo confirmam. É um sinal, amor. Vamos amealhando dinheiros e esperanças. Eu começava as obras, tu os filhos, arrumávamos a vida. Um casal numa casa. Pensa nisso.

Quando eu chegasse do trabalho, notaria aquele cheiro novo que se fez de nós. Um cheiro a família. As especiarias e os armários da cozinha estão arrumados ao teu jeito, a planetária naquele canto. Trouxe um livro novo para colocar na biblioteca, onde começa já a faltar-nos o espaço. A Celeste, o Joaquim, entretêm-se a brincar com o camião dos bombeiros que os teus pais deram pelo Natal. O gato continua a deixar pêlos por todo o lado. A ver se não nos esquecemos de comprar pesto verde quando formos ao supermercado. Tu cozinhas, claro, e questionas o meu perfume e o arranjo, como se fôssemos das novelas. Ralhas-me porque sou mole e porque não te dou valor quando passas a manhã a cozinhar. Ralhas-me porque não queres que te agarre enquanto estás de avental ao fogão e não te apetecem beijos àquela hora. Ralhas-me porque quero comer doces antes das refeições. Ralhas-me quando me distraio no computador e não vou logo comer quando chamas. Ralhas-me tanto e eu adoro-te tanto e é por isso que te beijo mais uma vez para que não me ralhes mais. Não deixo que te esqueças que a felicidade é coisa simples.

Podíamos ser nós, garanto-te. Não seria só uma ideia fixe para ti. E quando nos deitássemos no mesmo abraço, os miúdos deitados e ajustada já a temperatura dos corpos, nos dias em que eu não adormecesse enquanto víamos as nossas séries, eu haveria de queixar-me que agora era sempre na cama e debaixo dos lençóis e tu haverias de dizer-me que a vida muda e que não pode ser forrobodó todos os dias.

Dás-me a cara, dou-te a boca, e quando anoitece e os teus olhos são o embalo do meu sono, seríamos, eu e tu, um casal numa casa.

Talvez até fosse vantajoso para o IRS.

Eu num lado, tu no outro e no meio a distância que quisermos dar.

Continuasses tu, houvesse mais para ler, e eu quebraria.

Poema sétimo.

do alto da impossibilidade
deste mundo que ainda não conheces
escuta-me se conseguires:
quando nasceres enche os pulmões todos de ar e respira
longamente
esteve a vida toda à tua espera

que saibas que mal te segures de pé
irás aprender um desporto
porque é preciso que desde cedo conheças a luta dos dias
e o gosto quente da vitória
mas que será um desporto colectivo
para que entendas que em nada se vence sozinho
senão na morte

não queiras crescer
não deixes que te tirem os teus superpoderes
não deixes que te convençam que não os tens
não escutes o que te dizem
sobretudo não faças o que te dizem
as pessoas não sabem de nada mas estão tão
convencidas que sabem de tudo
mas escuta a tua mãe
porque a tua mãe tem sempre razão

rodeia-te dos bêbedos e dos loucos com os seus cães
se quiseres aprender a doçura e a verdade
mas não preocupes a tua mãe
porque a tua mãe conhece
as histórias dos bêbedos e dos loucos e dos cães

lê só o essencial
é preciso cuidado com a tentação das palavras
não te deixes apaixonar por poetas
por tudo não confies nas palavras

a vida é cruel
é preciso que to digam já
mas não tenhas medo
quando o chão te faltar
será só porque voas

dá o teu coração a um desconhecido
mesmo que um dia o venhas a perder
escuta-me: ganha-se sempre mais do que se perde
mesmo quando a dor chega
e chega quase sempre
o coração é muito maior
pergunta à tua mãe

viaja sem saber para onde
e deixa uma marca por onde passares
porque por vezes é preciso regressar
pelo cheiro da terra molhada
no meio da escuridão

rodeia-te de amigos mas
não esperes nada de ninguém
não esperes a justiça, a liberdade, a solidão
é preciso correr a conquistar tudo
não queiras a complexidade de pensar
deixa isso para os outros
contenta-te em sentir
procura as coisas simples
não percas tempo

atenta na cor da lua
o toque de uma mão na tua
a imensidão da música
os pés na relva e o riso de quem nos quer bem
o cheiro e o calor que ficam depois do sexo
não precisas de contar à tua mãe
ela sentiu tudo

um dia sobre o sol de Sesimbra
quis chamar-te Blimunda, imagina,
mas tu és celeste e por isso todas as estrelas são tuas
não procures o céu. Tu és Celeste

quis-te desde que te conheci
mas foi só mais tarde que entendi
que tu não eras para mim
se ao mundo pertencias
a tua mãe

(e a palavra fez-se carne.
cobrir-te de significados, engravidar-te de palavras e fazer-te sorrisos como quem faz filhos.)

Na sua primeira forma bárbara, que é a forma do início de tudo.

Amava-a também por isso. Pela determinação resoluta das suas decisões. Assaltou-a uma ideia durante a noite e pronto. A vida é bela porque muda, escreveu. Tomou aquela decisão e, em menos de duas semanas, já estava ela a mudar de País, de memórias, de destino. Nunca conhecera outro alguém assim e amava-a por isso.

Leão com ascendente em Caranguejo.

Nasceu o Francisco. Xiquinho, meu menino da sorte.

Não me deixes esquecer.

Não está cáaa (a brincar às escondidas). Aqui? Aqui? Aqui? (quando se pede para arrumar algo). Ah-ah! (quando descobre algo). Okeyyy (quando concorda). Uauuuu! (quando recebe algo, ou algo funciona, nem que seja a torneira a correr água). É (quando quer dizer “sim”). Queres (quando se pergunta se quer alguma coisa).

Maínha.

Eu – Onde está o meu beijinho?
Madalena – Não está cáaa! 

(2 anos)

Mamã-bébé-olá.

Nota-se-lhe a excitação, sorri com força, não se controla. Não sei como a fizeram tão doce ou se é qualidade própria, mas, se eu não gostasse tanto dela, haveria de ter passado a gostar naquele momento.