Ele que deixasse os livros, diziam, para os paralíticos e os moribundos

O que te irrita e entristece, aquilo que a vergonha não te deixa suportar, é que na necessidade não haja poder de escolha ou sequer de negociação. Cedes, submetes-te, calas. A miséria não se esconde porque não se consegue esconder e é essa sua exibição que a aumenta. És o que vês, é certo, mas mais o que os outros vêem de ti, não o esqueças. E ali, talvez nunca como antes, miserável e exposta.

E de que servem os livros, as abreviaturas depois da assinatura, o abstract, os contactos no LinkedIn, o blog e os elogios no blog, até mesmo o A7 deles. De que serve que tenhas a assinatura da Egoísta e um 19 a Empreendedorismo, de que te serve a vaidade na Avenida ou o projecto internacional. Ninguém quer saber nada disso. Isto não é nada, bem sei. Mas, ali, foi. Não, isso é muito, no máximo 70 Euros.

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