Love's a game, wanna play?

A voz ocupa mas não preenche. A palavra chama mas não afaga. O cheiro incendeia mas não acalma. O riso alicia mas não beija. A visão aproxima mas não sente. No tamanho das horas, vou desafiando a impaciência e é a custo que contrario este querer já tão mal-habituado. Permite-me querer(-te) mais. A vontade torna-se então uma fome e uma sede exigente, a infância que acorda e esperneia e barafusta até ser saciada. No lado mais quente da saudade, preciso do toque no toque, a intimidade que só se pode atravessar pelo tacto da pele. Anseio pelo imediato do que se agarra e se solta de nós, aquilo que se respira dentro do mesmo abraço, debaixo do mesmo abismo. Quando a saudade invade até o espaço todo em redor, eu sou só o interminável de uma espera à beira do possível e a distância são os dias que passam até se desfazerem no calor da tua boca.

2 comentários:

Maria disse...

Eu passo aqui diariamente, não me enfada ler e reler o que partilhas, tens uma forma muito peculiar de expressão, muito aliciante, interessante e cativante, posso mesmo afirmar, que chega ao limiar do vício em mim. Um vício bom, que renova, que me faz pensar e a propósito do post, me faz desejar mais.

És fonte de inspiração, de aprendizagem, de admiração. Tens uma inspiração invejável e inegável, tens o poder de me arrebatar da realidade para um paraíso intelectual, numa plataforma transcendente.

Às vezes, acho que te conheço, outras vezes fico a pensar que talvez tenhas o poder de (me) nos leres, apenas com o pensamento, outras ainda, deduzo que nós (seres humanos), não somos assim tão diferentes e que essa alegada diferença reside nos caminhos que escolhemos e nas opções que tomamos. Há um fio condutor que nos mantém ligados, nuns mais ténue do que noutros e creio que é precisamente nessa linha indelével que se dá aquilo que os psicólogos designam por transferência e que tu, habilmente imprimes em cada texto com que me (nos) delicias.

Obrigada por estares desse lado, obrigada pelas elegantes e incontáveis partilhas.

Maria.

Marisa disse...

Não sei como possa responder-te senão com um grande obrigada.

Fico contente de saber que isto que para aqui se escreve consegue despertar isso tudo. :-)

Continua por aqui.

Marisa