Campanhã

“Procurei-te no azul claro dos dias. Esperei-te no azul escuro dos fins de tarde, quase noite. Encontrei-te no azul brilhante de uma manhã em que apanhavas o comboio, como todos os dias. Olhei-te no azul dos teus olhos e cravei os meus no azul do céu, sem coragem para os fixar. Deixei cair o meu lenço azul pureza que apanhaste com a firmeza de quem, egoisticamente, queria ficar com ele. Devolveste-mo, devolvendo-me o olhar azul que se intrometeu na minha insegurança. O som ofegante do comboio ofereceu-me um momento sem palavras. Azulou definitivamente a nossa manhã. Sugeriste-me uma pequena paragem antes de seguirmos viagem. Tomamos um café.”

Histórias à beira da linha, Blue Café, Campanhã

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